Caribe!

Minha ida para águas caribeñas não teve absolutamente nenhum planejamento, foi tudo em cima da hora. Faltava um mês para o carnaval e eu queria muito fugir do caos do Rio. Uma amiga minha comentou que ia para o Caribe com a família, no famoso esquema all inclusive e me convidou. As fotos do lugar me convenceram sem muito esforço.


Eu consegui ir porque era só pedir para colocar uma cama a mais no quarto das meninas, porque o hotel já estava todo reservado. Ou seja: Não deixe pra cima da hora como eu :)
Vou ser sincera, eu tinha um leve preconceito com esse tipo de viagem que as pessoas pagam uma verdadeira fortuna, para ficar dentro do hotel o tempo todo (a praia do hotel, os bares do hotel, convivendo com hóspedes do hotel, os restaurantes do hotel…) sem conhecer nada do lugar, dos hábitos locais… E sair do Rio para ver SOMENTE praia, não fazia nenhum sentido pra mim. Pois bem, paguei pela língua.
Lá fui eu com um grupo de umas 20 pessoas da família da Renata, passar uma semana num resort all inclusive em Punta Cana, na República Dominicana.

Vou explicar porque eu paguei pela língua:

  • Não é uma fortuna como eu achava. (Punta Cana, pelo menos, não foi…)
Pra dar uma ideia, a passagem ida e volta pra República Dominicana com escala em Lima deu um pouco mais que R$1.600. Levando em conta que era carnaval…  Pra fora da América Latina, é um preço bastante razoável. E o hotel em si, saiu nessa média também com TUDO incluído.
Já passa de 3mil reais, mas leve em conta que é uma viagem internacional e que você não vai ter gastar UM centavo com taxi, refeição e esses custos normais de viagem.
  • Curti a ideia de viajar para descansar :)
Sou o tipo de pessoa que aproveita as férias para acordar cedo, conhecer tudo que puder, viajar, viajar e viajar. Dormir e descansar eu faço em casa que é mais barato e eu já conheço o que tem ao redor. Pra mim, férias são pra fazer qualquer coisa MENOS descansar, mas olha… Vou te falar que eu aprendi que ficar uns dias jiboiando na praia tem o seu valor.
  • E eu não fiquei jiboiando na praia todos os dias!  \o/
Mergulhei com arraias e tubarõesinhos, nadei com golfinhos, fiz o meu primeiro mergulho com cilindro, fiz para-sailing (que parece mongol mas, adorei), fui na academia, no spa… Mas, sim também jiboiei na areia, com um mar BIZARRAMENTE AZUL na minha frente.
  •  All inclusive é vida!
Eu nunca achei que essa parada de all inclusive, comida e bebida liberada fosse maneiro. Primeiro que eu não sou lá um grande consumidor de álcool, então não me parecia vantagem. Segundo que eu achava que a qualidade de tudo ia ser uma porcaria. Portanto, não valia a pena pagar. Nessa aí, eu me enganei total.
O café da manhã tinha MILHÕES de opções de tudo (a gordinha aqui se afundou em Nutella pancakes, todos os dias). Tinha 7 restaurantes diferentes. Mongolian Grill, Japonês, todos os frutos do mar possíveis, Italiano, Francês… Cada dia a gente ia em um novo. E você pode pedir a bebida que quiser, prato que quiser, no restaurante que quiser.
Sabe quanto custa um prato de lagosta no Rio de Janeiro? Um bom jantar com vinho? Uma caipirinha num bar? Pois é… Faz as contas de uma semana de restaurante caro no almoço e no jantar, barzinho e bebidinhas…
Continua não sendo meu tipo de turismo favorito, mas sinceramente, adorei e recomendo. Principalmente para famílias e casal.  

Mergulho

Se você mergulha e já tem carteira de Scuba Diving, ótimo! Se você não tem, pode fazer o curso lá (básico ou avançado) ou pode só fazer o batismo.

O batismo envolve uma aulinha para você aprender o básico sobre o cilindro,  ver o índice de oxigênio, aprender os sinais que você usa pra se comunicar debaixo d’água. Isso tudo é feito na piscina, antes do mergulho. Mas tudo no mesmo dia.

Nadar com os golfinhos, arraias e tubarões

Essas coisas não ficam exatamente dentro dos resorts, mas em todos eles tem um representante das companhias autorizadas a fazer isso. Você faz o booking na recepção e eles te levam e te trazem de volta. 

Com os golfinhos, você pode tocar, nadar, brincar que é tranquilo. Tubarões e arraias você não pode tocar, eles vão passar do seu lado te ignorando e você também só precisa ignorá-los também e todos sairão felizes no fim.
Essa foto aqui do lado é o mais perto que se pode chegar deles. Note que, mesmo sendo alto mar, eles estão dentro de uma área cercada. O que eu particularmente acho um pouco triste, mas é a única forma de garantir que todos os visitantes consigam vê-los, se não, você teria que dar a sorte (ou azar, né?) de encontrar um tubarão quando estiver nadando.

O que não aconteceria nunca, porque eles não vão pra perto da orla. A gente pega um barco para chegar até esse ponto em que tem os tubarões e arraias. Pode ficar tranquilo que você não vai ter nenhuma surpresa enquanto estiver nadando pela praia. A outra função da grade é mantê-los alimentados sempre. Assim eles não precisam caçar e não vão querer atacar ninguém, a menos que se sintam ameaçados, o que também não vai acontecer nem que você queira, porque você não pode chegar perto deles, você entra na água com uma boia presa na sua cintura, que te impede de afundar.

Vale lembrar também que esses não são nem de longe aqueles tubarões super assassinos, tipo tubarão branco (aquele mergulho da gaiola na África do Sul, que eu ainda hei de fazer) ou tubarão tigre (que tem no nordeste do Brasil).

Para-sailing

Nada mais é que você ficar preso num parada tipo um para-quedas, puxado por uma lancha. É legal, mas é super lentinho, não espere nada muito radical.. A boa é só ver a vista lá de cima, da praia toda. Tem no próprio hotel.

 

 

 

O resort: Majestic Elegance

Demos sorte, mas podia ter dado azar… Nosso grupo fez o booking no Majestic Colonial, que é um resort da rede Majestic, tem o Colonial e o Elegance. São juntos, um do lado do outro, só que o Colonial é mais barato (o quarto deve ser “menos luxuoso”). Chegando lá no hotel, a noite, guess what? Overbooking! Lembrando que éramos um grupo de mais de 20 pessoas, seria praticamente impossível achar outro resort naquela época do ano, com a quantidade de quartos que a gente precisava… Sei lá como, o gerente arrumou quartos no Majestic Elegance, e obviamente não cobrou a diferença de um pro outro, afinal, era erro deles.

Moral da história: a gente pagou pelo mais barato, ficou no mais caro e com acesso a piscinas e restaurantes de ambos :D

Podia ter dado um problema sério… Imagina um grupo de 20 pessoas procurando de resort em resort, 10h da noite, no carnaval… Imagina ter que voltar? Então, fica a dica aí: um dia antes de embarcar, liga pra lá, manda e-mail. Vale um double check pra não passar perrengue.

O site deles: Majestic Elegance


Foto que eu tirei do alto do para-sailing – aquelas casinhas ali, são os quartos. – Caribe 2010
 
Spa – Majestic Elegance Punta Cana – Caribe, Janeiro de 2010
 

 A parte bad:
O contraste do luxo de dentro do hotel e a pobreza da porta pra fora


A República Dominicana tem cerca de 40% da sua população em situação de pobreza (e mais ou menos 15% extrema pobreza). O país fica na Ilha de Santo Domingo, que é uma ilha gigante no Caribe, dividida em dois países (Haiti e República Dominicana). Aliás, vale lembrar que em janeiro de 2010 um terremoto destruiu quase 40% das casas no Haiti, que já não tinha lá as melhores condições econômicas antes do terremoto. É no mínimo MUITO desconfortável pensar que você está num resort super luxuoso, like a boss, num país que quase metade da população é pobre e o país vizinho foi parcialmente destruído um mês antes.


Mas você, caro turista, não precisa se preocupar com isso. Nem os resorts e nem as agências de viagem citam esses dados e você não vai ter contato com nada disso, porque vai ficar o tempo todo no hotel que é no meio do nada, no máximo vai a um lugar bem ali pertinho para nadar com os golfinhos.

O mais perto que eu cheguei de ver sinais da pobreza foi quando pegamos o traslado para voltar pro aeroporto de Santo Domingo no último dia. Na chegada eu não consegui ver nada porque já era noite.

É um contraste MUITO forte. E se você parar pra pensar que aquele atendente uniformizado de um dos vários restaurantes super finos que você foi, é um daqueles dominicanos magrelos, que mora em alguma daquelas casinhas super precárias e é pai de um desses garotinhos magrelos e barrigudos, vai bater a bad. Mas todo mundo que eu conheço que foi só fala do lado paradisíaco da coisa, e nem pensa nisso tudo.
Não me entenda mal, não estou criticando, não estou dizendo pra você não ir (até porque eles se sustentam pelo turismo) e nem quero que ninguém se sinta mal quando for.
Mas no mínimo, vale a reflexão ;)




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