Estudar no exterior

Dizem que quem acha que a infância é a melhor fase da vida é porque não fez intercâmbio – e eu concordo plenamente.
Algumas pessoas têm pedido informações sobre intercâmbio, mestrado fora e etc. Nem sempre é fácil conseguir, dá trabalho, custa caro, mas não é impossível. Vou explicar algumas opções e dar umas dicas de sobre bolsa, custo de vida, visto de trabalho e vocês vão ver que ao contrário do que parece, não precisa ser rico pra conseguir.
ps: Fiz um pedacinho da graduação fora e agora estou fazendo o mestrado. Todas as informações sobre os outras opções NÃO são experiências próprias, são informações que eu pesquisei com amigos e pela internet.

Mestrado e MBA

Estou fazendo o mestrado na Austrália e definitivamente não é fácil (não foi fácil juntar a grana, não fácil passar pro mestrado e não tá fácil cursar as matérias), mas não é impossível :)
Eu venho já há alguns anos procurando informações sobre isso, até tentei umas bolsas (sem ter o IELTS, sem ter os documentos – é raro, mas algumas universidades só pedem esses documentos para matrícula, não para inscrição). Tentei pra ver qual é e parei no “quase” duas vezes, até realmente resolver focar nisso, e consegui. Não tem uma receita de bolo pra conseguir, mas vou listar algumas opções.
Primeiro: Todas as faculdades vão exigir uma série de coisas, é um processo demorado, então, se você realmente quer, começa se mexer com pelo menos um semestre de antecedência, a lista básica:
– Algum exame de proficiência (IELTS, TOEFL…)
– Tradução juramentada dos seus históricos e diplomas
– Cartas de recomendação (em inglês)
– Portfolio (para área de artes visuais / música / design e etc)
– Comprovante de experiência de trabalho (nem todas exigem, e normalmente uma carta de recomendação em inglês de um dos seus superiores é suficiente)
IELTS Academic ou TOEFL
Se você estou inglês a vida toda, usa no trabalho, é fluente e tal, ótimo, bom começo. Mas, inglês acadêmico é outro nível. Aconselho muito fazer um preparatório. A nota mínima varia um pouco entre faculdades / cursos mas a maioria é 6.5 no IELTS Acadêmico (não, o IELTS General English não é aceito) e nenhum band abaixo de 6. Eu estudei inglês a vida toda e fiz um preparatório meia-boca com um mês de antecedência e NÃO consegui de primeira, tirei mais que 6.5 na média, mas tirei 5.5 no writing, e como eu disse: não pode ter nenhum band abaixo de 6. Faz um preparatório, escuta os macetes do professor, é tipo vestibular mesmo. Treinar os macetinhos e aprender a controlar seu tempo de prova (que é puxado também) foi decisivo pra esse meio ponto que me faltou na primeira tentativa.
Carta de Recomendação
A Griffith me pediu várias, eu apresentei duas da graduação, duas da pós-graduação (de preferência para professores que sejam Mestres ou Doutores), e uma de um dos meus superiores no trabalho. Todas em inglês, carimbadas e assinadas. A quantidade varia também, mas todas que eu já vi pedem no mínimo duas cartas.
Portfolio
É mandatório para áreas como design, artes… Obviamente eles esperam algo bem apresentado e em inglês e os formatos variam entre faculdades (a Griffith por exemplo, não aceitou o link do meu portfolio online, tive que preparar um arquivinho em PDF).

Quanto custa?

Caro. O custo varia, na Austrália, por exemplo, cada semestre é uma média de 12 mil dólares Australianos (uns 27 mil reais). Para começar, você precisa pagar pelo menos um semestre inteiro.
Vai sair uma pequena fortuna, claro que vai. É um mestrado / MBA. No Brasil também não é barato… O que eu fiz foi trabalhar e juntar dinheiro por um bom tempo e também consegui um percentual de bolsa, então paguei os dois primeiros semestres. E na Austrália estudante tem permissão pra trabalhar. Então, não tem nenhuma grande fórmula pra conseguir a não ser: trabalhar (pra pagar) e estudar (pra passar, e tentar conseguir uma bolsa).
Para pode trabalhar: Uma dica que pode ajudar muito, que no meu caso foi decisivo é: Procure nos países em que Brasileiros tem permissão de trabalho. Existem países (e de língua inglesa: Irlanda, Canadá e Austrália) que dão visto de trabalho automaticamente por você ser estudante. Ou seja, mesmo que você não consiga bolsa, você pode juntar o dinheiro curso e quando chegar arrumar um emprego.
Griffith – Campus da Queensland College of Art, em Southbank, Brisbane, Austrália. Onde eu curso o mestrado atualmente (2014).

Sobre bolsas:

Eu consegui e não foi integral e ainda assim foi muita sorte. Bolsa pra mestrado na Austrália é tipo achar um unicórnio. Na Europa tem mais, pesquise :) Não quer dizer que seja fácil conseguir, mas existe em maior quantidade.
Pelo governo Brasileiro: Pode até acontecer, mas não são muitas. E Ciências Sem Fronteira, até o momento, só para graduação ou doutorado. Rolam uns rumores de que vai ter para mestrado, mas até agora nada oficial. Eu nunca tentei nada pelo governo brasileiro.
Pelo governo do país de destino: Vai nas embaixadas / consulados e pergunta. Existe mesmo. Levanta da cadeira e vai lá perguntar. Eu quase consegui para França em 2009 por um programa que eu descobri na embaixada (não que isso seja um mérito, “quase conseguir” é mole – mas enfim, os programas existem, corre atrás pra saber). Fica de olho no Camus France.
Dica: não precisa obrigatoriamente falar francês, existem vários mestrados lecionados em inglês, mas, se você falar a língua do país é obviamente mais fácil porque você tem mais opção.
Sei também de um programa de bolsa para Holanda, nunca tentei, mas fica a dica:
Veja aqui mais informações sobre o programa Orange Tulip

Pelas faculdades: Pesquisa no bom e velho google, pela sua área, e você vai descobrir que algumas faculdades pelo mundo de fato dão bolsas para estrangeiros (pesquisa sobre bolsa para países sub-desenvolvidos, normalmente o Brasil ta na lista). Eu passei em 2011 pra um mestrado na University of East London num programa de bolsa que eu achei pesquisando no google mesmo. Veja aqui as bolsas abertas pra UEL. Não fui porque a bolsa era só de isenção (significa que você não vai pagar pra estudar, mas vai ter que se bancar na Inglaterra – que é caro – por 2 anos e como o visto de estudante na Inglaterra não permite trabalhar, não rolou). Mas, fica a dica se seus pais concordarem em te sustentar, ou se você tem passaporte europeu você pode trabalhar :)
Financiamento: Se você tem a sorte de ter quem pague pra você, ótimo. Não precisa juntar dinheiro e nem correr atrás de bolsa. Faz um financiamento pelo Banco do Brasil (várias agências de intercâmbio fazem pra você) é sem juros nenhum. Seus pais vão poder pagar parcelado, estando no Brasil, enquanto você cursa seu mestrado fora.

Intercâmbio entre faculdades (graduação)

Foi isso que eu fiz em 2008/2009. É uma parceria entre faculdades, em geral, é de graça. Eu fiz faculdade na ESPM que é uma faculdade particular e não paguei na-da pra faculdade europeia, nem pra ESPM referente ao semestre que eu estava fora (sem pegadinha: paguei 8 semestres e estudei 9, o do intercâmbio foi de graça). Claro que não tem nenhum tipo de bolsa que ajude com custo de vida lá e você não vai ter permissão de trabalho, ou seja: seus pais tem que concordar em bancar aluguel e etc. Os critérios para esses programas bolsa variam cada faculdade (mas está sempre relacionado com desempenho acadêmico, estuda e mantenha seu CR alto). Normalmente é para alunos entre o segundo e o penúltimo semestre e você precisa se comprometer a voltar e concluir a graduação no Brasil. Na ESPM só pode por UM semestre. Se informe se a sua faculdade tem esse tipo de convênio. Sei que a PUC faz também.
Minha dica para esses programas em que você passa um tempo da graduação fora é fazer matérias que você não tem na sua faculdade em casa. A maioria das pessoas faz o máximo de equivalências que pode, pra não atrasar a formatura, mas acaba atrasando do mesmo jeito, porque as grades não são iguais… No fim das contas, vai ser muito mais proveitoso pra você aprender alguma coisa que você não aprenderia na sua grade normal.
Eu (em 2009) na porta do IADE, em Lisboa.

Outros tipos de programas no exterior:

Ps: Como eu disse, eu mesma não fiz nenhum desses abaixo, são informações que eu busquei na internet ou com amigos que já fizeram.
Pós-graduação
É mais ou menos o mesmo processo do mestrado e do MBA só que os programas em geral tem duração mais curta (mínimo 6 meses) e o processo seletivo é mais fácil, quase sempre basta um diploma de faculdade traduzido e a prova de proficiência da língua do país.
Work Experience
Work Experience nada mais é que de fato trabalhar fora. Em geral, em bares, restaurantes, hotéis… Eu acho uma excelente opção pra viajar e melhorar o inglês sem necessariamente precisar ter muito dinheiro. Se você tem um bom inglês, consegue trabalhar com atendimento ao público, se não, você pode ir mesmo assim e trabalhar na cozinha, arrumando cama em hoteis… Eu sei que para brasileiro é sub-emprego e muita gente faz cara feia. Mas, sinceramente, é uma ótima oportunidade pra amadurecer, ganhar um dinheiro e no tempo livre: viajar :)
O país mais comum é os EUA. Baseado no que eu ouvi dos meus amigos, minha recomendação é que você tenha seu emprego já acertado com a agência já do Brasil. Deixar pra procurar emprego é arriscado. E é óbvio que, se você conseguir estudar inglês antes de ir, e passar bem nos testes, ter um emprego em que você de fato fala inglês, vai ser bem mais proveitoso.
Au pair
Trabalhar de babá! Pelo que eu pesquisei, é mais difícil de conseguir porque maioria pede experiência. Também tem que fechar com antecedência, do Brasil, em agências de intercâmbio. Normalmente precisa ser mulher (mas alguns programas aceitam homens também) e a idade limite é 26 (EUA) ou 30 anos (alguns países da Europa, por exemplo). Não pode filhos.
Encontrei programas com 30 horas semanais, tem 2 days off por semana e férias a cada 6 meses e também alguns com 45 horas semanais com 1 dia e meio off por semana + um fim de semana livre por mês e 2 semanas de férias (que não são a cada 6 meses – pode ser no início do programa, no fim ou no meio, depende do acordo com a família). Os programas têm duração de 6 meses a um ano podendo ser estendidos.
Estágio / Trainee
As áreas mais comuns são administração, marketing e hotelaria. Idealmente você tem que ser estudante ou recém-formado, entre 18 e 30 anos. Não é barato, os estágios/trainees são não remunerados ou pouco remunerados e você precisa pagar tudo antes de ir. É uma boa pra carreira, certamente, mas é caro.
Trabalho Voluntário
Eu faria certamente, é uma experiência de vida. Talvez um dia ainda faça :) Mas, mais uma vez, é caro. Você vai precisar ter dinheiro pra passagem, pro programa e pra se sustentar lá (entre 2 a 12 semanas). Os países mais comuns são países em desenvolvimento (África do Sul, Namíbia, Zimbabue, Tailândia e etc), o que pode significar que o custo de vida no lugar não seja tão caro. Precisa de um nível avançado de inglês, mas você não precisa necessariamente falar a língua local.
High School
High School é basicamente “escola”, em geral as pessoas fazem parte do segundo grau fora. A maior vantagem é que isso é um passaporte para fazer faculdade fora. Os estudantes ficam em casa de família (normalmente) é uma boa pra você realmente viver a cultura do país e voltar com um novo idioma pra casa. Existem programas de high school em vários países (EUA, Canadá, Itália, França, Dinamarca, Alemanha, Austrália… Vários). É claro que é caro. O programa é caso, homestay é caro… Mas se seus pais podem bancar, vai. Certamente vale o custo.
Cursos de Inglês
A opção mais barata tende a ser EUA e as mais caras Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Normalmente ir só pra estudar (sem fazer work experience) sai caro. Mas, mais uma vez: vale a pena. Três meses de curso de inglês (e falando inglês do dia todo) serão infinitamente mais eficientes um ano de cursinho de inglês.
Ciências Sem Fronteiras
É um programa do governo para estudar no exterior. É ótimo, queria eu que na minha época de graduação existisse isso. Você precisa estar fazendo alguma graduação ou doutorado relacionado a ciência – ou seja, nada de design, marketing, comunicação, direito… etc. Mas conheci alunos de enfermagem e engenharia de produção, por exemplo, que não é necessariamente ciência. –  Chequem com as suas faculdades quais são os cursos (faculdade particular e pública também). Para se inscrever você precisa ter mais de 10% do curso concluído e menos de 90%. O governo paga TUDO (os valores variam de acordo com o  custo de vida do país que você vai). Eles pagam a faculdade, suas passagens, seu custo de vida… Mantenham suas notas altas! É por desempenho que eles escolhem os bolsistas. Eu conheci alguns estudantes do CSF aqui na Austrália e eles vivem bem. Viajam com dinheiro da família, é claro, mas o dinheiro da bolsa é suficiente para se sustentar :)
Mais informações, no site: cienciasemfronteiras.gov.br
Outros links (de agência de intercâmbio) para te ajudar:
Australian Centre (a agência que me ajudou com o processo para a Griffith)
Central de Intercâmbio
World Study
STB
Education First 
Espero que ajude, boa sorte! :)

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